Bem conservados
Pela primeira vez em um teste com alimentos perecíveis, encontramos algumas marcas conservadas no intervalo de temperatura que consideramos adequado. Todas estavam abaixo do que determina a legislação, embora algumas ainda apresentassem temperaturas acima do que consideramos aceitável. O cumprimento deste parâmetro é obrigação do comerciante, por isso não pode influenciar a avaliação do produto.
Legislação deixa brechas
A margarina segue as normas do Ministério da Agricultura e o creme vegetal, da Anvisa. Cada texto determina a quantidade máxima de gordura em cada produto, sem abordar a quantidade mínima de gordura que pode ou deve ser usada. Por isso, foi possível encontrar
dois produtos que se apresentam como margarinas, com 80% e com 20% de gorduras. Como dois produtos tão diferentes podem ter o mesmo nome? Ou seja, você pode encontrar uma margarina tradicional “mais light” do que uma margarina light.
Quando a legislação dos cremes vegetais prevê a presença de “outros ingredientes” em sua receita, deixa o fabricante livre para incluir
o que quiser na mistura. Assim, um vegetariano radical não pode nem confiar que o creme vegetal de sua escolha não traga gordura animal, diferente das margarinas, que possuem um limite determinado de gordura animal.
A legislação também não determina uma quantidade máxima de sal para os produtos. Isso é grave, especialmente porque a Organização
Mundial de Saúde determina que o consumo máximo diário de sal não ultrapasse 6 gramas. Assim, uma refeição principal diária não deve ultrapassar 2 gramas.
Até na determinação de temperaturas de conservação a legislação é permissiva. A conservação das margarinas e dos cremes vegetais deveria ser a 4ºC. Entretanto, a legislação permite que elas estejam mantidas simplesmente a uma temperatura menor que 16ºC. Nesta temperatura, se existirem microrganismos, eles podem proliferar.
A ESCOLHA CERTA
Analisamos 39 produtos, sendo 22 margarinas tradicionais, 11 margarinas lights, 5 cremes vegetais e um creme vegetal light, todos com sal. Investigamos as diferenças, vantagens e desvantagens para a saúde, rotulagem, quantidade e qualidade da gordura, do sal e, por fim, qual o mais gostoso.
O teste confirmou que os cremes vegetais são opções mais saudáveis (com menores teores de ácidos graxos saturados e trans). Melhores até que as margarinas lights. Assim, o melhor do teste foi o Sadia Vita (de R$ 1,28 a R$ 5,29) e a escolha certa, a Deline Lanche (de R$ 1,74 a R$ 2,69).
Como o produto não é distribuído na versão creme vegetal no Rio de Janeiro, para os cariocas a recomendação é buscar a Sadia Vita, que foi encontrada em 20% dos mercados pesquisados. Entre os cremes vegetais você ainda encontra um produto considerado o barato do teste: o Soya (de R$ 0,99 a R$ 2,99).
A segunda melhor indicação para sua saúde está nas margarinas. O título de o melhor do teste e de a escolha certa, entre as light, ficou com a Qualy Light (de R$ 1,88 a R$ 4,79) e, entre as tradicionais, com a Qualy Cremosa (de R$ 1,75 a R$ 3,68).
Em contraste com a boa qualidade dos produtos, falta uma legislação precisa e exigente. Os produtos não se apresentam corretamente
ao consumidor. Isso permite que você encontre no mercado margarinas com 20 ou 80 por cento de gordura. A Pro Teste notificará o Ministério da Agricultura e a Anvisa por permitirem o desrespeito ao consumidor.