Nem tão salgados assim
O excesso de sal, como sempre afirmamos, é um perigo para indivíduos com potencial de hipertensão arterial. A OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda um consumo máximo de 6 gramas diárias de sal.
Quantificamos, então, o sal,levando em consideração a questão da saúde, mas também para verificar se houve adição excessiva com o objetivo de alterar o teor de extrato seco. Algumas marcas apresentaram um teor elevado, mas a maioria foi pelo menos aceitável.
Depois vimos se havia metais pesados nos produtos, que podem ser resíduos de agrotóxicos ou pesticidas e mesmo estar presente devido
a uma contaminação durante o processo de fabricação. Felizmente, essas substâncias não apareceram nos molhos testados.
O teste seguinte verificou a presença e quantidade de conservantes nos produtos. De fato, em alguns casos, havia benzoato ou sorbato de sódio (entenda o que são no quadro da pág.9). Porém, como a quantidade que encontramos foi bem menor do que o limite estipulado pela legislação, isso pode indicar que nem sempre os fabricantes adicionam esses aditivos.
Esses conservantes podem já estar na matéria-prima (polpa de tomate) utilizada. Mesmo assim, entendemos que essas marcas deveriam receber um conceito diferente (C) das que utilizam matériasprimas sem aditivos.
Molhos contaminados
Em seguida, fizemos uma análise importante para verificar se o processo de esterilização dos molhos foi eficaz, ou seja, se eliminou os microrganismos que poderiam estar presentes. Um resultado positivo para esse teste seria a ausência de qualquer alteração estufamento) nas embalagens.
Assim, se a embalagem permanecer inalterada, o alimento está estéril e pode ser consumido sem perigos. Os produtos das marcas Compre-Bem, Extra e Quero Marinara não obtiveram resultados positivos nessa análise e, assim, foram eliminadas do teste. Vale a pena ressaltar que todas elas eram vendidas em latas. O objetivo do enlatamento é permitir que o produto tenha uma vida de prateleira maior, pois as latas passam por um processo de esterilização que deveriam destruir quaisquer microrganismos.
Entretanto, como os produtos não estavam esterilizados, alguns esporos podem ter sobrevivido, transformando-se em bactérias que produziram o gás que estufou a embalagem. As principais razões são subprocessamento, resfriamento inadequado ou contaminação da lata por falhas de selagem.
A Pro Teste solicitou à Anvisa que sejam tomadas as medidas necessárias e até mesmo a retirada dos lotes analisados do mercado.
Pêlos de roedores eliminam mais dois
Para finalizar os testes laboratoriais, analisamos se os produtos continham fragmentos de insetos, larvas ou roedores. O resultado não foi nada bom – apenas 12 das 30 marcas analisadas não apresentaram problemas de qualquer tipo. Encontramos não só fragmentos de insetos e de larvas, como, em algumas marcas, o bicho estava inteiro.
Isso, porém, não significa um perigo imediato à saúde dos consumidores, mas denota uma clara falta de controle de qualidade nas indústrias. Assim, esses produtos foram penalizados (E) não só nesse parâmetro, como também na avaliação final.
No entanto, o pior mesmo foi constatar que havia pêlos de roedores em produtos de duas marcas – Tomatino (em lata) e Arisco Tarantella (em caixa).
Como os pêlos de roedores são reconhecidamente vetores de possíveis causadores de doenças, essas duas marcas foram eliminadas do teste.