O consultor Cláudio Boriola responderá a 5 dúvidas semanais, sendo uma nova a cada dia útil da semana, sobre economia doméstica e dívidas. Você pode enviar sua pergunta para o e-mail cboriola@ig.com.br. As dúvidas serão selecionadas pela equipe da Boriola Consultoria e respondidas neste espaço:
Fiz um financiamento de um carro por uma financeira. Sempre paguei minhas parcelas, mas há dois meses fiquei desempregado, assim como minha esposa e, junto, temos uma dívida de R$6.000,00. Queria refinanciar as parcelas do financiamento, que eram de R$ 407,00, para torná-las mais baixas, mas a empresa não quer, prefere pegar o carro de volta.
Já paguei 13 parcelas e o financiamento é de 36. O que devo fazer? Eles só pensam neles e não querem negociar. Estou com o nome sujo e não consigo refinanciá-lo em outro local.
Financiamento de veículo tem sido ultimamente o drama de milhares de consumidores brasileiros. Por considerarmos uma boa perda do poder aquisitivo, comprar um veículo à vista se torna cada dia mais dificultoso, onde o consumidor acaba optando pela compra parcelada e em longo prazo. O prazo por mais longo que seja ele sempre estará vencendo, passa dias e mais dias logo deparamos com o que temos que pagar por uma compra parcelada.
Nessas horas é preciso ter muita cautela, quanto maior a quantidade de parcelas, maior é as chances de uma pessoa se tornar inadimplente, isso sem contar que as taxas de juros praticadas são altíssimas. O que vem ocorrendo também, é a questão do valor da parcela, é muito simples analisarmos e vivenciarmos diariamente que as pessoas não percebem que em parcelas fixas há existência de juros embutidos. Infelizmente quando assinamos (pactuamos) um contrato acabamos aceitando todas as regras impostas, e uma dessas consta exatamente os seguintes dizeres:
“Caso houver inadimplência de uma das parcelas do presente Contrato vencer-se-á antecipadamente as parcelas vincendas, tornando-se imediatamente exigível a totalidade do débito do CLIENTE”.
É claro que ocorrendo o atraso a financeira procura receber o valor da parcela, honorários de cobrança, despesas de cobrança, entre outras, ficando o consumidor num impasse e sentindo-se compelido para pagar o débito, sem contar as fortes pressões de cobrança e as ameaças de ajuizar a Ação de Busca e Apreensão.
Todas as cláusulas cabem discussões perante o Poder Judiciário, isso não nos deixa dúvidas, muitos preferem devolver o veículo de forma amigável e esquece que o valor que será leiloado o veículo ficará aquém do valor do contrato de financiamento, onde o consumidor posteriormente será executado judicialmente para pagar o prejuízo caso o valor da venda não cubra todas as despesas do contrato. Sempre um bom acordo é o melhor caminho para ambas as partes, tente, isso não lhe custará nada, em último caso procure um profissional da sua confiança da área do direito para analisar melhor as suas condições.