O consultor Cláudio Boriola responde a 5 dúvidas semanais sobre finaças pessoais e dívidas. Você pode enviar sua pergunta para o e-mail cboriola@ig.com.br. As dúvidas serão selecionadas pela equipe da Boriola Consultoria e respondidas neste espaço:
Em 1998 tomei por empréstimo R$500,00 de um agiota, entregando-lhe um cheque de R$560,00 (juros de 12% a.m.); por 05 meses paguei a ele apenas o juro, ou seja, R$67,00 ao mês e parei de paga-lo; em 2002 fiz 04 depósitos a ele sendo 01 de R$200,00 e 03 de R$100,00 e novamente parei de paga-lo; no momento ele me ligou dizendo que iria executar o cheque. O que fazer?
Primeiro devemos considerar que qualquer AGIOTA comete crime duas vezes: Emprestar dinheiro com juros acima do que a legislação determina e por não qualquer credenciamento do Banco Central do Brasil para operar no mercado financeiro.
Como trata-se de um cheque de emissão em 1998, o mesmo encontra-se prescrito sua execução (artigo 585 II do Código de Processo Civil), mesmo assim ele persistirá em ameaça-lo e lhe causar constrangimento ilegais, caso continue ocorrendo faça um comunicado a Autoridade Policial (Boletim de ocorrência) para que o mesmo seja penalizado perante a Lei.
O importante para quem deve é pagar as suas dívidas, não restam dúvidas. Pegue o valor do cheque e atualize com juros de 1,0% (um por cento) ao mês, desconte os valores depositados, também atualizados, e junte o restante e faça um Depósito Consignado em Juízo (Juizado Especial Cível), desta forma você estará agindo de forma correta
Tenho um cheque protestado e a consultoria de cobrança está me cobrando um valor de R$ 279,00 sendo que o valor original é de R$ 188,00, esse valor cobrado está correto? Eu emiti o cheque em 08/08/2004.
O valor para pagamento do cheque devido até (13/02/2006) é de R$225,85 (atualização com juros de 1% ao mês). É bem provável que a empresa terceirizada de cobrança esteja cobrando taxas de juros superiores ao permitido e honorários de cobrança que não é de sua responsabilidade. Não obtendo sucesso nas negociações, procure ajuda do Poder Judiciário (Juizado Especial Cível) para consignar o pagamento do valor informado.
Quando é preciso ter disponível para começar a investir na bolsa de valores?
A expressão investir na bolsa de valores precisa ser entendida corretamente. Na verdade as pessoas não investem na bolsa. A bolsa é somente um recinto onde os operadores das corretoras de valores negociam principalmente ações das companhias abertas. Por outro lado, para começar a investir em ações, que são títulos representativos do capital das empresas, a questão não é o montante disponível para investir; pode-se iniciar com poucos recursos, por exemplo, R$100,00, através de fundos de ações ou clubes de investimento em ações. Para iniciar a investir em ações há necessidade de conhecimento e informações. Requer-se conhecimento de mercado financeiro e de capitais.
Ações são títulos de rendas variável, cujo retorno depende do lucro da empresa. A empresa pode, por exemplo, dar prejuízo e o acionista perder dinheiro em vez de ganhar. Há necessidade de saber escolher, por critérios técnicos, dentre ou menos 400 empresas de capital aberto, de quais empresas se deseja adquirir as ações. Há necessidade de dispor informações sobre a conjuntura macroeconômica e sobre a empresa em que se deseja investir.
Existe como dito, uma tendência de curto prazo para valorização das ações da Bolsa de São Paulo?
Nas Bolsas de Valores, com relação ao comportamento dos preços das ações e do índice, existem três tendências: de alta, baixa ou estabilidade. As tendências de preços das ações são estudadas pelos analistas gráficos através de analise técnica. Quem primeiro estudou o comportamento dos preços através de gráficos foi Charles H. Dow, fundador e editor da Wall Street Journal, cuja primeira edição circulou em 08 de julho de 1889. A teoria ficou conhecida como teoria de Dow. Atualmente, a analise técnica é um importante instrumento para se analisar a tendência dos preços, principalmente com a utilização dos computadores que plotam os gráficos na tela em tempo real minuto a minuto. A analise técnica permite ao analista acompanhar os preços e estabelecer as tendências de curto prazo com razoável chance de acerto, mas jamais com certeza absoluta, uma vez que as tendências podem ser revertidas a qualquer momento, dependendo dos fatos econômicos.
A partir do final de 2002, quando o índice Bovespa atingiu seu nível mais baixo – cerca de 8.000 pontos -, os preços das ações iniciaram um período de alta que se mantém até hoje. Se a atual tendência de alta vai prosseguir, ninguém pode afirmar com certeza. Os analistas estão divididos em relação a tendência futura dos preços de ações em bolsa.
Qual o tipo de investidor deve apostar na Bolsa de Valores?
O termo apostar não é adequado para a Bolsa de Valores, pois transmite a idéia errônea de aposta em jogo de azar. Digamos que um investidor queira efetuar aplicações, adquirindo ações de companhias abertas em Bolsa. A Bolsa de Valores é somente o recinto onde os operadores das corretoras de valores mobiliários negociam as ações. O perfil do investidor de ações dever ser o de alguém com a vida financeira equilibrada, que possua uma reserva financeira para imprevistos de no mínimo 6 vezes a sua despesas média mensal; que não vá precisar dos recursos a curto e médio prazo (de 2 a 5 anos).
As aplicações devem ser feitas aos poucos, com regularidade, de preferência mensal mente. O investidor deve conhecer ainda o funcionamento e as características do mercado de capitais. Deve-se diversificar as aplicações, adquirindo ações de empresas que atuem em diversos setores da economia (no máximo 10 empresas). Caso o investidor tenha pouco conhecimento do mercado, poderá participar e um fundo ou clube de investidores em ações, administrado por um bom gestor, usando os mesmos critérios descritos acima. Seguindo essas recomendações, o investimento em ações proporcionará um excelente retorno a longo prazo, pois ações são uma das melhores aplicações, tendo em vista a liquidez, segurança e rentabilidade. Aplicar em ações é muito adequado para se construir um fundo para a aposentadoria ou uma reserva para pagar os estudos dos filhos.