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Planeje antes o 13º de seus funcionários
Lia Nasser

O direito ao 13.º salário é assegurado pela legislação trabalhista a todo funcionário brasileiro, e os empregadores são os responsáveis por este pagamento. As conseqüências do não cumprimento desta lei você já pode imaginar: processos trabalhistas que podem vir a resultar em determinações de pagamento de quantias ainda maiores que o próprio 13.º salário. Isso por que elas podem vir acrescidas de correções ou até multas. E a questão vai além: você não quer ser antiético com seus funcionários, quer?

O melhor meio de não ficar no vermelho e cumprir com suas obrigações patronais é fazer provisão. O que é isso? É a importância retirada antecipadamente dos lucros previstos de uma empresa para atender a uma eventualidade. Uma boa gestão financeira é aquela em que o administrador programa seus gastos.

A dica é do consultor financeiro do Sebrae de São Paulo, Luís Alberto Lobrigatti. “O mais importante para conseguir pagar o 13.º salário em dia é fazer o que chamamos de provisão”, alerta o consultor. Em relação ao 13.º salário, o ideal é guardar um pouco por mês.

A conta a ser feita é simples: some o valor do pagamento de todos os 13.º salários que terá de honrar e some a este valor os devidos encargos.
Divida este resultado por doze e você terá o valor a ser provido mensalmente. Cada mês de venda ajuda a arrecadar o 13.º a prazo. Ele deve ser pago no período entre a segunda quinzena do mês de novembro até o dia 20 de dezembro.

O consultor salienta ainda que existem outros gastos, aqueles com período de ocorrência maior que um mês, que devem ser incluídos nesta conta. Alguns exemplos são: propaganda, manutenção de máquinas, taxas extras de funcionamento, impostos como IPVA e IPTU, apólices de seguro, entre outros.

No entanto, para que isso seja possível, você precisa garantir que este dinheiro entre no caixa de seu negócio, orienta o consultor. Planeje devidamente qual deve ser o volume de suas vendas para que você consiga arcar com os custos do negócio. A principal dica é que a venda de todos os meses precisa ser o bastante para pagar as contas e, ainda, ter dinheiro para essa provisão. Primeiro deve-se pagar as contas, depois prover, investir ou recolher o lucro. O ideal é que os gestores tenham conhecimento do valor anual de suas despesas, só assim é possível fazer planejamento.

Gerenciando o caixa
Ao encontrar o valor médio mensal a ser guardado, é possível gerenciar o caixa. Confira este exemplo: se sua provisão mensal é de R$ 1,500 e você neste mês só gastou R$ 1000,00 guarde o restante, pois estes R$ 500,00 fazem parte da provisão, e essa despesa uma hora aparece.

Esses cuidados servem também para os casos de vendas sazonais. Um exemplo são as sorveterias, que no verão ou próximo ao dia das crianças vendem muito, o que pode não acontecer no inverno. “Os meses bons ou normais de venda devem garantir a parte a ser guardada nos meses ruins”, completa o consultor financeiro.

Isso vale também de ano para ano: se neste ano sobrou uma quantia do valor reservado para os 13.º salários, não embolse, guarde-o para o próximo ano. Afinal, nunca se sabe como vai estar o mercado.

Devo investir o valor guardado?
O consultor aconselha, quando a mercadoria vira capital, que você retire a quantia estipulada para o pagamento do 13.º salário e aplique em uma renda fixa ou poupança. Ele não acredita ser vantajoso arriscar aplicações mais rentáveis. Assim, o dinheiro não fica parado e você não arrisca o benefício dos funcionários. A idéia é aplicar com segurança. É besteira contar que este dinheiro renda com os juros de mercado, “assim você não terá nenhuma surpresa desagradável”, aconselha Luís Lobrigatti.

Uma dica é fazer este valor virar capital de giro, ou seja, comprar mercadorias para que estas sejam rapidamente vendidas e, assim, gerar mais lucros. Mas Lobrigatti alerta: “cuidado para não ficar com o capital preso em mercadorias no final do ano”.