Quem nunca ouviu as frases “É uma queda de energia” ou “Tire os seus aparelhos da tomada”? A época do apagão felizmente acabou,
mas nada impede que ocorram oscilações de energia devido a tempestades, por exemplo. Para que isso não afete o seu aparelho, existem
no mercado alguns tipos de dispositivo de proteção. Entre eles, o mais vendido é o estabilizador – produto que testamos.
Nosso objetivo foi descobrir se os estabilizadores desempenham bem a sua função e oferecem segurança durante o seu funcionamento.
Considerando a ampla oferta de estabilizadores de tensão (normalmente vêm em conjunto quando se compra um computador), fomos ao mercado buscar um retrato deles, sem o objetivo de apontar uma escolha certa.
A grande diferença entre os modelos do mesmo nome é a inclusão do protetor de surtos telefônicos, o que reflete no preço também. A presença do recurso ocorre porque todo equipamento conectado à linha telefônica ou de transmissão de dados e alimentado pela rede elétrica está sujeito a ser danificado por surtos causados pelas descargas atmosféricas. Quando elas atingem os cabos de telefonia, podem chegar aos computadores e danificá-los. Nenhum estabilizador controla como deveria as variações da tensão elétrica. Para piorar, em nosso teste, só um mostrou ser seguro para o consumidor.
Não confunda com outros tipos
Os estabilizadores de tensão são os condicionadores de energia que mais aparecem nas lojas especializadas em informática. Eles atuam na voltagem que a concessionária fornece a certos equipamentos (computadores, scanners, impressoras, entre outros) para protegê-los
contra os efeitos de altas ou baixas tensões. Estes aparelhos não alimentam motores, eletrodomésticos ou equipamentos de hospitais.
Outro tipo existente no mercado é o filtro de linha – um tipo de extensão elétrica melhorada, com um ou mais dispositivos protetores
de surto. Só que este aparelho não condiciona a energia, somente a desvia para evitar eventuais surtos da rede elétrica. Eles são vendidos nos mais diversos pontos de artigos eletrônicos, até mesmo no comércio informal. E um último tipo, que vem crescendo muito em vendas, é o nobreak, um equipamento mais elaborado, que não tem como função apenas condicionar a energia. Durante um apagão, ele fornece energia para que você possa salvar seus arquivos (por um tempo definido pela capacidade de suas baterias) para depois desligar o seu computador com segurança. Normalmente são mais caros, pesados e volumosos.
Só que, na prática, dois produtos declaram possuí-lo, mas Como funciona um estabilizador não têm. E, pior, no final do teste ainda descobrimos que quase todos os estabilizadores não respeitam a sua própria denominação.
Muitos problemas nas instruções
Primeiramente, avaliamos os manuais de instruções e a qualidade final não passou de “aceitável” (C). Faltam orientações
de limpeza e é raro encontrar boas dicas de segurança. Além disso, é difícil visualizar as inscrições das caixas e a linguagem é muito
técnica. Ainda analisamos se os produtos são fáceis de usar. O objetivo era ver se há espaço para utilização de plugues diferentes em conjunto com fontes de alimentação, como caixas de som ou carregadores de celular. Também verificamos se é fácil substituir o fusível quando ele queima e se é preciso o uso de ferramenta. Felizmente, não encontramos problemas mais graves.
Aparelhos não estabilizaram a tensão
Partindo para o laboratório, medimos o consumo de energia no modo stand-by para um período de 24 horas, mostrando quanta energia
gastamos para deixar o aparelho ligado. Como os aparelhos costumam ficar ligados continuamente, consideramos que, quanto menor o
consumo, melhor. Não houve problemas na avaliação, mas o ideal seria o aparelho ficar desligado quando não há periféricos ligados.
Depois examinamos, enfim, a regulação de tensão. Comparamos os estabilizadores considerando os limites extremos registrados no ensaio. O que se espera de um estabilizador de tensão é que ele mantenha a tensão de saída (a que vai para o seu computador, por exemplo) dentro de um nível preestabelecido, independente das variações da tensão da entrada (a que chega da tomada). Só que,
em muitos casos, mais especificamente no Line-R da APC, Evo II da Forceline, Microline 2 da BMI e Revolution II da SMS, esse objetivo
não foi possível. Ou seja, esses equipamentos não fazem jus ao próprio nome.