Defeitos foram constantes
Em seguida, a Pro Teste fez a importante análise dos defeitos dos grãos. Muitos feijões tinham mais impurezas, matérias estranhas e grãos mofados do que o limite previsto na legislação para o tipo 1. Até insetos vivos foram encontrados. O fato mostra que há produtos de qualidade inferior vendidos pelo preço de um superior.
Entre os feijões pretos, dois produtos foram eliminados do teste: Primavera (não pôde ser classificado em nenhum dos cinco tipos - isto é, está "abaixo do padrão") e Nacional (desclassificado por conter insetos vivos). Outras quatro marcas apresentaram muitos defeitos, e por isso, se fossem seguidos os parâmetros legais, deveriam ser classificadas como tipos inferiores. As marcas Preto Bem e Um Dois também tiveram muitos defeitos.
Entre os feijões cariocas, o desastre foi menor: uma marca foi eliminada e outras três foram ruins (E). O Biju - que foi eliminado do teste - assemelhou-se ao caso do Nacional, ou seja, não tinha a menor condição de ser colocado à venda. Esses resultados mostram que o consumidor está sendo lesado financeiramente, adquirindo produtos de qualidade muito inferior ao que deveriam apresentar, segundo os seus próprios rótulos. O fato indica que a fiscalização é tão ruim quanto o controle de qualidade de alguns produtores.
Toxina elimina mais um
Outra análise fundamental é a de quantificação de aflatoxinas, que, dependendo da quantidade, pode a longo prazo causar câncer. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) admite um limite muito permissivo para o total de aflatoxinas em feijão: 30 ppb (partes por bilhão). O FDA (agência americana que regula alimentos e remédios) determina que o máximo de aflatoxinas para alimentos em geral deve ser de 20 ppb e a legislação européia diz que o limite da aflatoxina B1 - a mais perigosa de todas, devido ao seu elevado potencial tóxico - deve ser de 8 ppb. Uma marca de feijão carioca - Carreteiro - apresentou uma quantidade alta de aflatoxina B1 e, por isso, foi eliminada do teste. Esta marca tinha mais de três vezes o limite permitido pela legislação européia para a aflatoxina B1. A marca Mais por Menos de feijão carioca recebeu um conceito mais baixo (C), mas está dentro dos limites que consideramos aceitáveis para não acarretar riscos à saúde.
Água apareceu em excesso
Outro item decisivo em nossa avaliação foi o da umidade dos feijões. Esse teor não deve ser muito elevado para garantir uma boa conservação do produto e para o consumidor não levar excesso de água para casa. A Pro Teste levou em consideração o limite imposto pela legislação brasileira. O feijão preto Primavera e os cariocas Broto Legal, Camil, Mais por Menos e Pantera tinham excesso de umidade (E). Mais uma vez, a Pro Teste teve um abuso dos fabricantes e uma falha na fiscalização dos feijões por parte do Ministério da Agricultura.