Atuns e golfinhos
A pesca do atum gera muita polêmica porque grupos de golfinhos costumam nadar junto dos cardumes do peixe, o que gera grande ocorrência de captura acidental desses mamíferos nas redes. Por isso, algumas latas de conserva indicam ser “amigas dos golfinhos”. Essa captura acidental se deve às técnicas de pesca. A pesca com rede vitima os golfinhos porque os impede de subir à superfície de tempos em tempos para respirar. Eles morrem antes mesmo de ser liberados das redes. Se o atum fosse pescado com linha, anzol e isca viva, isso não aconteceria.
Por isso, em alguns países, só podem ser comercializados atuns que vêm em embalagens onde há um selo Dolphin Safe (golfinhos seguros). Isso quer dizer que esses fabricantes estão sob regulamentação e auditorias constantes para verificar se, durante a pesca, há morte ou ferimento de golfinhos.
No Brasil, esse selo não é regulamentado, sendo uma fonte de grandes divergências. O Conselho Nacional de Pesca e Aqüicultura (Conepe), entidade que representa os diversos segmentos do setor pesqueiro empresarial nacional, diz que a pesca de atum no Brasil não fere os golfinhos porque usa espinhel (long–line) e varas com iscas vivas, entretanto não há como comprovar isso.
Não há nenhuma fiscalização ou auditoria que possa certificar que os golfinhos não morrem ou não são machucados durante a pesca do atum no país. Portanto, a Pro Teste não acredita que a presença do selo seja motivo suficiente para a decisão pela compra de uma determinada marca. Também por isso a entidade é contra a utilização do selo de proteção aos golfinhos tal como ele está sendo atribuído atualmente, pelos próprios produtores do atum.
Atum Rubi: um caso à parte
Enquanto a Pro Teste realizava o teste, o atum Rubi alterou sua embalagem. A primeira amostra enviada ao laboratório possuía data de fabricação de 2000. Esta embalagem antiga não informava o peso drenado do atum sólido. Nem o atum ralado informava corretamente a tabela nutricional, a data de fabricação estava praticamente ilegível e não avisava em quanto tempo o produto deveria ser consumido ou como conservá-lo depois de aberto.
Já as embalagens novas trazem os pesos líquido e drenado e uma tabela de informação nutricional correta, embora indiquem (ao contrário da embalagem antiga) que o produtor protege os golfinhos, com um selo sobre cuja atribuição a Pro Teste tem dúvidas.
A acidez do óleo da versão antiga (tanto sólido quanto ralado) estava muito alta, quase dez vezes mais do que o permitido para um óleo comestível refinado. Os técnicos imaginaram que poderia ser um problema pontual que, estranhamente, não impedia a presença de microrganismos. Para esclarecer a questão, decidimos verificar o conteúdo da nova embalagem, mas o resultado se repetiu. Isso mostra que o fabricante utiliza um óleo de má qualidade, que pode causar azia em quem o consome.