Rotulagem falha
O rótulo é a carteira de identidade de um produto. Por isso, é inaceitável que ele não auxilie o consumidor na hora de uma escolha adequada, ou de uma ação correta na conservação e no consumo. Em algumas marcas, como a Coqueiro (sólido e ralado) e a La Pastina (sólido e ralado) era indicada a presença de “caldo vegetal”, um termo amplo, impossível de identificação.
Os técnicos observaram que a cravação do lote e da data de fabricação não é bem-feita, especialmente na marca Rubi. Nas demais, a qualidade da informação era deficiente. Apenas as marcas Coqueiro, Gomes da Costa, Rubi e Lida (ralado e sólido) informavam corretamente, de acordo com a futura regulamentação, os aspectos nutricionais de seus conteúdos.
Entretanto, o caso mais grave encontrado foi o do atum La Pastina, fabricado no Equador. O Ministério da Agricultura, órgão fiscalizador desses produtos, não possui sequer um registro dessa marca livremente encontrada nos supermercados. Quase todas as marcas apresentavam um selo de proteção aos golfinhos, o que as penalizou, menos a La Pastina. E nem um número de telefone para atendimento do consumidor era encontrado nas marcas Lida (sólido e ralado) e CPC.
Atuns sólidos, mais saborosos e caros
Na prova de degustação, um painel de provadores avaliou aspecto, aroma, textura e sabor dos atuns. Em termos globais, os resultados da prova foram positivos. Os atuns sólidos foram mais apreciados que os ralados, com classificações variando entre [A] e [B], enquanto os ralados foram classificados de [A] a [BFC]. Acredita-se que essa diferença de sabor se deva à qualidade do óleo, que nos sólidos tem menor contato com a carne.
Entre os sólidos, o único que possuiu um conceito diferente [B] foi o da marca Rubi. Entre os ralados, os degustadores consideraram Coqueiro (“granulado”), Gomes da Costa (“triturado em excesso”) e Lida (“muito escuro”) dignos da classificação [BFC].
Os técnicos observaram uma significativa diferença de preço entre os atuns sólidos e os ralados. Não há nenhum critério técnico que justifique essa variação, uma vez que a qualidade entre as duas características foi bastante parelha, havendo diferenças significativas apenas na degustação.
A Pro Teste acredita que os atuns ralados devam ser produzidos a partir das sobras dos filés, o que pode baratear seu custo, ou, então, que a procura pelo atum ralado seja maior devido à sua maior praticidade no preparo de receitas.